segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

José Altheman: o pescador “Zé do Boné”.



Leandro Altheman*

Muita gente em Praia Grande ainda deve se lembrar da emblemática figura que todas as manhãs saia para pescar no “Casco do Navio”, retornado quase sempre, com sua fieira repleta de robalos, embetaras, por vezes algum baiacu, que por saber lhe tirar o veneno, não dispensava.

“Zé do Boné” era o apelido entre os amigos pescadores do Sr. José Altheman.

Natural de Amparo, na região serrana de São Paulo, José iniciou cedo a vida na roça, como a maioria das pessoas de sua geração. Nascido no ano de 1920, neto de uma família de suíços alemães que chegaram ao Brasil nos primórdio da imigração. Contudo, não chegou a conhecer seus ascendentes. Jovem, mudou-se para Campinas-SP para trabalhar nos cafezais da região.

Aos 18 foi viver finalmente em São Paulo, por ocasião do serviço militar. Ingressou como operário em diferentes fábricas, ficando mais tempo em uma das empresas do grupo Souza Cruz, que produzia as embalagens para cigarros. Foi pioneiro na luta dos trabalhadores daquele tempo e membro fundador do sindicato dos gráficos, e como tal, lutou por melhores condições sanitárias para os operários.

Começou a freqüentar o balneário ainda na década de 60, antes da emancipação política de Praia Grande. Onde passou a dedicar-se à pratica da pesca esportiva no casco do navio

A Pesca como Estilo de vida

Após a sua aposentadoria em 1971, mudou-se definitivamente para Praia Grande, no Boqueirão. Em pouco tempo, a pesca deixou de ser uma atividade meramente recreativa, para tornar-se um estilo de vida.

Acordava antes do sol nascer, preparava suas iscas e partia em direção ao mar, não sem antes consultar a tabela de marés. Além da vara e do molinete, levava consigo outros apetrechos a maioria, de fabricação própria. Como por exemplo os “porta-iscas” – pedaços de cano furados com uma tampa presa a um elástico, aonde iam os “pitus” que ele mesmo criava em tanques.

A caixa de isopor com o restante das iscas ficava na praia, protegida às vezes por um guarda- sol, enquanto José entrava na água, atravessando a nado o primeiro e o segundo canal. Por horas a fio, permanecia de pé, lançando o anzol com a isca no cardume que seus olhos pareciam enxergar sob as ondas.

Foram raras as ocasiões em que voltou para casa sem peixe ou “comeu ovo” como dizem no linguajar dos pescadores.

José por sua experiência e destreza, ganhou o respeito dos demais, trazendo fieiras cheias de belos robalos, que mais tarde comeríamos fritos. Para proteger do sol uma pequena área calva em sua cabeça, nunca deixava de usar um boné, o que lhe valeu o apelido de “Zé do Boné”.a sem peixe ou “comeu ovo” como dizem no linguajar dos pescadores.

Em novembro de 1980, veio o seu maior feito como pescador. Retirou das águas, exatamente do “Casco do Navio”, (até onde eu saiba) o maior exemplar de robalo já pescado naquela área e sob aquelas condições: 17.900 gramas e 1 metro de dez centímetros de comprimento.

E para não virar “história de pescador”, foi tudo documentado em fotos. O narrativa emocionante da luta do velho pescador com aquele peixe valente foi ao ar no programa “o pulo do gato” da rádio bandeirantes. Uma história que nos faz lembrar o “Velho e o Mar” de Ernest Hemingway.

Zé do Boné e o robalo de quase 18 quilos foram retratados também em uma matéria da Revista Acampamento, especializada em caça e pesca.

O “corrupto”

Na década de 80 mesmo, começou a se popularizar entre os pescadores o uso do “corrupto” como isca. Meu avô não soube dizer exatamente quem trouxe a moda entre eles. Mas o fato é que o “corrupto” sempre esteve lá, naqueles insuspeitáveis “furinhos” respirando sob a areia. As bombas feitas de cano de PVC, como um êmbolo de sucção revelavam o aspecto inédito daquela criatura que parecia ter saído dos filmes de ficção. Ao invés de patas ou nadadeiras, anéis circulares, e uma casca quase translúcida que revela todo o interior do bicho, às vezes somados de milhares de minúsculas ovas avermelhadas.

Era divertido acompanhar meu avô na “prospecção” ao “corrupto”, quase sempre era acompanhado por dezenas de turistas interessados naquela estranha atividade.

No fim, “corrupto”, acabou por quase aposentar o “pitu”.

Vivência

Os dias, horas e minutos que passei ao lado de meu avô foram para mim inestimáveis. Hoje

vivendo na Amazônia percebo o valor que os índios dão para o contato direto entre avôs e netos. A transmissão do conhecimento vivo de uma geração para outra é um tipo de aprendizado que jamais escola alguma poderá substituir. É o tipo de saber que transcende as disciplinas dos bancos escolares e que se torna presente na alma, de modo indelével.

Ainda hoje me lembro da cor do nascer do sol da janela de meu avô e de sua disposição em sair para pescar. Do cheiro de maresia em suas roupas, de como mesclava tão bem seus modos severos com um senso de humor incrível. Guardando em um sorriso discreto um indisfarçado prazer em estar vivo. Sou grato à Deus por ter tido esta oportunidade de convívio com meu avô.

Partida

Os anos de pescaria lhe deram muita saúde e disposição física. Não me lembro dele doente ou queixando-se daquelas dores que são sempre comuns à terceira idade. Tinha uma saúde e uma disposição de ferro.

Talvez por isso mesmo, fomos todos pegos de surpresa quando no dia 12 de outubro de 2005, José Altheman ou “Zé do Boné” fez a sua passagem.

Era um dia comum e naquela manhã mesmo ele havia ido pescar, trazendo consigo alguns robalos. Limpou os peixes, como era acostumado, guardou-os no freezer, tomou um banho e deito-se para esperar o almoço. Acordou com uma forte dor no peito e depois de recobrar os sentidos, teve tempo apenas de se despedir da sua “Nêga”, Dona Hilda Favalli Altheman, que o acompanhava há mais de 50 anos.

Despedida

Trabalhando como reporte de rádio na distante Cruzeiro do Sul-AC extremo oeste do Brasil recebi a notícia entre uma reportagem e outra. Chorei muito, não pela inevitável morte ter chegado para meu avô, mas por não ter podido me despedir convenientemente.

Notei que horas antes de receber a notícia enquanto fazia uma reportagem que meu jeito bem-humorado de viver me lembrava muito de meu avô. Recordei dos ensinamentos dos índios que dizem que nossos ancestrais vivem em nós e em toda natureza à nossa volta.

Embarquei no primeiro vôo para São Paulo, ainda a tempo da última despedida. Conforme seu último desejo foi cremado e eu, seu neto mais velho, tive a honra de lançar suas cinzas no mar em que sempre esteve sua vida.

Suas cinzas receberam o abraço final da Rainha do Mar, a quem eu rogo que o tenha em bom lugar.

*Leandro Altheman é jornalista e vive em Cruzeiro do Sul-AC. É autor do blog Terranauás.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sexta-feira de Chuva


Oi mãe,

Hoje, pro algum motivo muito especial me veio uma lembrança completa de momentos que tivemos juntos na minha infância. Uma lembrança, não apenas de coisas e fatos que aconteceram mas com um gostinho todo especial que só o coração pode reviver.

Era um sexta-feira chuvosa. E você havia nos buscado na Escola São Judas Tadeu. Eu e o Guigo sentados no banco de trás do carro. Haviam gotas de chuva na janela e o trânsito era lento, mas não estávamos com pressa. O limpador de pára-brisa ia pra lá e pra cá fazendo seu singelo ruído.

Olhava pela janela do carro, com meu pensamento sei lá onde....

Mas do que eu me lembrei mesmo hoje, não foram tantos estes detalhes, mas a sensação de ser protegido e amado por alguém tão especial como a minha mãe. O que você falava, era doce e havia amor em suas palavras... e mais que tudo esta sensação de ser amado... Tão bom, mãe... lembrar disso.

Eu me vi hoje, tão pequenino, vestindo aquele uniforme escolar. Pequenino, mas amado, protegido.

Não foi apenas uma sexta-feira, foram muitos os dias da semana, muitos os meses do ano, em que me senti amado por você, só não sabia o que era isso. Hoje eu sei e digo com toda franqueza, mãe: faz toda diferença em quem eu sou hoje.

Obrigado, Mãe

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Breve Historia do Capitalismo Industrial Brasileiro, ou Capitalismo de Estado

Oi Pai

Depois de ver e ouvir tanta abobrinha na Internet, me sinto quase na obrigação de fazer uma postagem, baseada mais na história do que na política, para que tenhamos, principalmente um esclarecimento sobre qual é o modelo do capitalismo industrial brasileiro. O assunto é atual, uma vez que a aquisição de uma parcela maior de ações da Petrobrás provocou um rebuliço nas bolsas de valores do mundo todo e colocou o Bovespa, em segundo lugar nas movimentações finaceiras do planeta.
Antes de tudo caberia a pergunta: este tipo de intervenção do estado, enfraquece ou fortalece o capitalismo nacional? Embora talvez alguns economistas tentem argumentar o contrário e dizer que quem se fortalece é na verdad o Estado e não a economia, o mais óbvio é que se a bolsa de valores de SP ultrapassa a de Chicago, é um claro sinal de que a economia, e portanto, o capitalsimo nacional, estaõ sendo favorecidos com a ação do estado. Portanto, vir falar de "comunismo", numa hora dessas me parece mais do que tudo uma tentativa tosca de uma campanha de desinformação e medo totalmente irreal.
Mas, a ação do atual governo federal não é uma atitude isolada, é na verdade um eco de um modelo capitalista que vem sendo implantado no Brasil desde Getúlio Vargas. Por esta razão, vou fazer aqui um brevíssimo histórico da formação do capitalismo industrial brasileiro, para que possamos melhor nos situar na historia.

Período Colonial
Portugal adota para o Brasil um modelo denominado "plantation" ou seja - monocultura, latifundiária e escravocrata. Neste modelo nao há espaço para produção manufatureira, precursora da atividade industrial.
Enquanto isso, nos EUA a atividade manufatureira se desenvolve livremente, mas as sobretaxas britânicas desestimulam a atividade.

A partir da mineração seculo XVIII, a atividade manufatureira se desenvolve em Minas Gerais. Produção de artigos de vestuário e calçado. Portugal edita uma medida que proibe a atividade, prevendo até pena de morte.Os EUA conseguem sua indepenedencia e passam a exercer a atividade a todo vapor. Começa a Revolução Industrial na Inglaterra e se espalha rapidamente para França e EUA. Portugal permanece como produtor de vinhos e azeite, e nao participa da revolução.

1808 - Vinda da Familia Real

Cessa a proibição a atividade industrial no Brasil, mas a legislação favorece somente a compra de produtos industrializados ingleses. O Brasil segue sendo um latifundio, monocultural escravocrata até o final do século XIX.

D. Pedro II
Foi quem primeiro lançou as bases do Brasil moderno, trazendo familias de imigrantes suíços e chineses em substituição à escravidão. Através de Visconde de Máua tem início as primeiras industrias no Brasil. A atividade só é possivel com apoio estatal, pois não há como competir com a insdutria britanica ou dos EUA

Getulio Vargas

A crise do capitalismo liberal de 1929 derruba os preços do café brasileiro, obrigando a uma nova saída. Getúlio Vargas inicia a industrialziação do Brasil em uma politica chamada "substituição de importações".
Um apoio intensivo do Estado é necessario para que o Brasil possa superar séculos de atraso na produção industrial. A criação da Compania Siderurgica Nacional (estatal) possibilita a industrização do Brasil.o modelo adotado é o seguinte: o stado presente nas industrias de base (siderurgica, hidrelétricas e mais tarde pertoleo) e iniciativa privada nas industrias de bens de consumo. No segundo governo GV (1950), é criada a Petrobrás. se consolida o modelo de capitalismo nacional. Não é o capitalismo apregoado pelos EUA que querem um acesso maior às economias da América Latina, e nem tampouco é socialismo soviético. É um capitalismo com participação do estado nas industrias de base. O modelo tem seus criticos ferrenhos os capitalistas librais, representados sobretudo por Carlos Lacerda. Sãos os mesmos grupos economicos que hoje detém a imprensa "nacional", quase toda formada pelo capital estrangeiro.

Juscelino Kubitcheck

Dá um novo impulso à industrialização com a industria automobilistica.A Petrobrás permite um grau de autonomia á economia brasileira que não é visto com bons olhos pelos EUA. Cresce a oposição ao modelo capitalista brasileiro. Tentativa de golpe contra JK.

João Goulart e o Golpe

João Goulart e Leonel Brizola nunca foram comunistas. Sua base de pensamento era a do capitalismo nacional, herança de GV. Mas os setores derrotados nas urnas, representados pela UDN, articulam um golpe civil-militar para acabar com a idéia de capitalsmo nacional. Os poucos órgãos de imprensa geridos por capital nacional são fechados (jornal Ultima Hora, TV Tupi- Assis Chateubriant ). O capital estrangeiro possibilita a criação dos grandes meios de imprensa brasileiros Grupo Abril(Veja) e Globo.

Milagre Brasileiro

A fim de justificar os regimes ditatoriais da America Latina, patrocinados pelo EUA através da CIA (há documentos historicos que comprovam isso), os EUA promovem grandes emprestimos financeiros ao Brasil, que possibilitam o boom da economia brasileira. A alegria tem fim com a crise do Petróleo no final da década de 70.

Social Democracia
Como forma de criar um contraponto entre o comunismo soviético e o liberalismo americano, a Europa cria um modelo que apesar de capitalista, não é liberal, mas social-democrata, ou seja, favorece as pautas de reivindicação das categorias trabalhistas: seguro -desemprego, a aposentadoria, abonos salariais, etc. Este modelo favorece a queda nos indices de criminalidade e criam o chamado "Estado de bem-estar Social."

Neoliberalismo
Margareth Tacher e Ronald Reagan implantam o modelo neoliberal, que prevê a extinção dos sindicatos e dos beneficios sociais, para aumentar a produtividade das empresas. É uma época de crescimento economico e a URSS não consegue acmpanhar. Embora o seu modelo estatal seja vitorioso na grande industria (aço, industria bélica, petróleo, industria naval) não consegue ser competitiva na industria de bens de consumo(textil, automoveis, eletrodomésticos, etc). O resultado é o fim do modelo socialista soviético.

No Brasil, este modelo neoliberal é adotado na Era Collor, provcando, entre outras cosias, a maior quebra de empresas brasileiras da historia ("quem não tem competência, nao se estabele", lembra-se).O modelo é continuado na Era FHC. Apesar do rotulo "social-democrata", a partir do governo FHC, o PSDB abandona este modelo e passa a defender o modelo neolibral, que preve entre outras coisas, a privatização da economia.

Hoje

Lula na verdade apenas retomou o modelo GV, um capitalismo industrial nacional. O nome mais correto para este modelo adotado seria "Capitalismo de Estado". Não tem nada a ver com comunismo, mas também não é um capitalismo liberal. Em termos historicos, foi o modelo que permitiu maiores avanços para a economia e a sociedade brasileira.
O modelo neoliberal é posto em cheque quando o próprio Obama se vê obrigado a usar dinheiro do Estado para salvar empresas falidas, pois sabe que haveria um impacto social muito grande com as demissões. A rápida recuperação do Brasil perante a crise é a prova cabal de que o modelo brasileiro é eficiente. Em outras palavras: uma economia capitalista, mas com participação do Estado nas industrias de base.

sábado, 18 de setembro de 2010

Cronicas para minha mae 2: A Chave de Maria

Oi Mae

Como vinhamos conversando a evoluçao do pensamento humano de dá por etapas. Assim nao se pode julgar oque fez ou deixou de fazer uma geraçao. é preciso ter uma visao mais ampla da historia para ver, por exemplo, que este negocio de achar que o mundo está "acabando", ou se tornando mais violento, nao corresponde com a realidade. Muitos anunciam que "O Fim está proximo", do mesmo jeito que um vendedor de guarda chuvas gosta de dizer que vai chover. É verdade, o fim está proximo, simplesmente porque o fim sempre está proximo. Nossa etapa de existencia humana é um ínfimo período de tempo na vastidao do Oceano do tempo.

Um visao mais apurada começa a desenhar os detalhes, as nuances de tudo o que está acontecendo. Alguns estudiosos das Eras, gostam de categorizar através de símbolos, o padrao de pensamento humano predominante. Assim, a quem coloque a infancia da humanidade no símbolo do Touro, que está relacionado ao aprendizado da agricultura, ou seja, como o Touro, a humanidade teria seus olhos voltados para a terra. Em seguida seria o advento do Carneiro, representado por Mosiés e a lei ( o episódio do bezerrro de ouro, marcaria o fim da era do touro) . A Era de Jesus seria o sacrificio do Carneiro, e o advento de Peixes que está relacionado a Fé . Esta é apenas uma da smuitas formas de entender a evoluçao do pensamento humano. A tal prometida Era de Aquário marcaria o fim da era da fé cega, e o advento da Era da Consciência. Isto significa que as experiencia anteriores nao vao sendo apagadas, mas somadas, conjugadas a fim de elevar o conjunto do pensamento humano a um novo patamar de entendimento.

Aqui nas Américas tem se falado muito no advento da quadrinidade. O que significa? O pensamento Ocidental está marcado pela presença da Trindade, que no Cristianismo se manifesta através de Pai, Filho e Espirito santo. Mas outras religioes também têm a trindade. Por exemplo, no hinduismo é Braham, Vishnu e Shiva (Criador, Equilibrador e Transformador). Os gregos tinham os tres irmaos Zeus, Hades e Poseidon (Céu, Inferno e Mares). No mundo andino eles definem em tres "pachas", tres espaços guardados pelo Condor, o Puma e a Serpente. A relaçao especial que os povos tem com o numero tres nao é tao mistica nem exoteria quanto possa parecer. É uma questao simples de geometria: com um ponto se indica uma localizaçao, com dois se indica uma direçao e com três se forma o plano. Dois pontos sempre vao estar alinhados, mas tres precisam de um proposito. asim, quando se reza em nome do pai do filho e do espírito santo, estao se alinhando tres planos para um único proposito. Ao contraio da dualidade, a trindade nos dá equilíbrio, paz, tranquilidade, pois podemos nos "apoiar" sobre ela.

Mas o fato é que se levarmos em consideraçao Pai, Filho e Espírito Santo, aonde está Maria, a Mae? Mais uma vez em termos geométricos temos Jesus na Cruz com seus braços abertos indicando tres direçoes: o alto e os dois lados. Maria está aos pés da cruz. Representa a Terra que recebe o sacrificio do filho. Portanto se passamos da trindade à quadrinidade, reicorporamos a propria Terra em nossas oraçoes. A irmandade catolica já faz isso a milenios, sem se dar conta. Mas A Virgem Maria é uma reediçao de mitos muitos mais antigos que tratam da fecundidade sagrada da Terra. Nossa Senhora de Aoarecida, é a Madona Negra cultuada desde a infancia da humanidade.

Assim, os povos da América costumavam usar além do tres, o quatro, em sua organizaçao do mundo ao redor. Daí as quatro direçoes, os quatro elementos, as quatro raças, etc.

Nas cerimonias em que tenho participado tenho começado a compreennder que nao se trata de suplantar o pensamento considerado "atrasado", e sim, superá-lo pela propria evoluçao do pensamento.


O Fim da Civilizaçao Industrial

Uma leitura possivel do que stamos vivendo hoje é de que houve uma exclusao da Terra (e portanto, da Mae) daquilo que é considerado sagrado. Ao considerar a terra como local de expiaçao, culpa e pecado- vale de lágrimas, e etc, e ao condenar o trabalho como "castigo" divino, a humaniddae condenou também a propria terra e a propria vida do planeta.
Hoje estamos divididos entre os "materialistas" que acreditam apenas na visao limitada de seus sentidos e "espiritualistas" a quem somente interresa o "outro mundo". Ambas visoes estao equivocadas e serao, ao devido tempo, superadas. O que urge é recuperar a dimensao sagrada da Terra, do trabalhoe da vida. As conciencias que habitam cada corpo, animal, vegetal ou mineral sao portais para reinos que podem ser acessados daqui mesmo, de onde estamos, sem precisar para isso, morrer. Ao ver a Terra como sagrda, também deixa de existir a ilusao da morte, pois em verdade ela nem sequer existe, uma vez que as conciencias mudam de forma mas continuam habitando este plano.

A civiliao industrial foi criada a partir de uma visao "utilitarista". Ous eja, utilizamos a natureza para os nossos desejos e fins, mas nao lhe damos nada em troca. É uma relaçao de irresponsabilidade que poderia ser comparada a um home que busca o baixo meretricio. Nao poderá receber nada de valor de uma relaçao desta natureza.
Como venho afirmando, os povos da américa desenvolveram uma relaçao de reciprocidade em que as conciencias de aniumais e plantas, coabitam em seus corpos atravé sda alimentaçao, medicina, vestuário, habitaçao, etc, e por isso, sao parte da familia. Isto traz uma relaçao mais harme permite adentrar em diferentes reinos de conciencias.
O tempo da Terra, o tempo do 4, o tempo da Mae, é o tempo em que se forma uma conciencia nao-estanque, ou seja, nao limitada pelos limites fisicos do corpo, mas ampliada e compartilhada por toda o planeta Terra, que nada mais é, do que uma imensa nave-mae conciencia navegando pelo cosmo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Cronicas para minha Mae

Oi Mae,

Vou aproveitar para matar (via net) a saudade e ter uma daquelas conversas mais longas que as taxas da telefonia internacional nao o permitem. Considere este email como uma postagem particular para vc!O pais é bom que desse uma olhada também, para se ter uma melhor compreensao de tudo.

O preço do Real é 1.50 soles. Mas nao é só isso. O fato é que os impostos sao bem mais baixos entao tudo é mais barato. A desvantagem com isso é que o país nao é industrializado. Tudo é chines, japones, chileno, brasileiro e colombiano. Resultado: classe media pequena, quase nenhum avanço tecnico como no Brasil. Aqui eles nao sabem fazer nem facao! Como ve, tudo tem dois lados. Por isso é bom pesar esta historia de impostos e coisa e tal. O Estado aqui é minimo, receita neoliberal que o PSDB quer para o Brasil. Resultado: nao existe estado, saude pessima, saneamento basico um sonho para poucos. Nao tem aposetadoria, so os que conseguem provar pobreza, ganham algo como 200 soles, uns 170 reais. Voce ia querer isso para o Brasil?

Por outro lado, o consumo é desenfreado, pois o povo pode comprar de tudo, motocicletas a 500 soles, por exemplo. Resultado: como o país paga isso? Vendendo todas as suas riquezas naturais em estado bruto a preço de banana. E lá se vao as florestas, rios e montanhas embora.

Mas tem outros aspectos que sao culturais e que ajudam o país. Por exemplo: aqui se pratica o comercio interno há uns 12 mil anos. Resultado: tem de tudo para comer e beber em todas as partes do país. Outra: aqui nao se pratica monocultura como no Brasil(café, soja, cana). Aqui é o país da policultura. Resultado: Ninguém passa fome. Outra coisa é que brasileiro nao sabe comer, é viciado em carne de boi, um baita veneno. Aqui os caras comem peixe e frango bem condimentado, com tanta verdura que facilita a digestao. Resultado: quase nao tem obesidade.


Brasil

O fato é que mesmo com tudo isso, aquela decisao de Getulio Vargas em 1930 de industrializar o Brasil nos colocou na rota para nos tornarmos uma das maiores naçoes do paneta. E daqui, posso ver. O Brasil nao é mais o pais do Futuro, é do presente. Mas talvez o Peru possa ser a naçao do futuro. Por que este pais tem algo(s) que nao o temos. O mais importante de tidos e que esta enraizado no pais a cultura do estudo, da leitura, do pensamento filosofico e das humanidades. Embora tenhamos grandes pensadores nas humanidades, o Brasil se sobressai como o pais da engenharia, da tecnica, da pesquisa cientifica. Interesante, nao?
Bem, quando Getulio Vargas criou em 1930, as base para que nos tornassemos uma das maiores naçoes industrializadas do planeta, o fez com base em uma doutrina politica: o trabalhismo. O trabalhismo nao é comunismo puro nem socialismo, embora beba um pouco nestas fontes. Os anos se passaram e houve uma disputa entre o trabalhismo defensor do capital nacional e o liberalismo, defensor do capitalismo internacional. O comunismo nunca entrou de fato em disputa no Brasil. O trabalhismo venceu politicamente, mas foi derrotado via golpe de estado e é bom que se diga, nao foi apenas um golpe militar, pois os agentes civois do golpe eram os representantes do capitalismo internacional no Brasil. Quer melhor exemplo: Vitor Civita presidente do Grupo Abril (ele é natural do EUA), Roberto Marinho dispensa apresentaçoes, Carlos Lacerda (se lembra dele?), e por aí se vá. Morto o golpe militar, permaneceram vivos estes atores, e desde que assumiram o controle do país através a industria de entretenimento barata e sem conteúdo, a cultura de massa tornou desnecessario o uso da força militar para conter as forças populares.
A partire do concilio vaticano de 1962, a Igreja catolica entrou definitavamente para o lado das forças populares, e foi isso de fato que determinou a virada do jogo que assitimos hoje. Lula, Dilma, e o PT sao reflexos antes de tudo desta postura da Igreja Catolica através da teologia da Libertaçao, pensada por elesd sobretudo nas bases da civilizaçao industrial brasileira.
Nao existe milagre nenhum, Serra já perdeu por que a politica por ele defendida perdeu espaço no país.


Civilizaçao Industrial

Capitalismo e Socialismo, assim como Serra e Dilma sao dois lados diferentes da mesma moeda: a civilizaçao industrial.
Apenas o papel representado por Marina Silva (e nao apenas a candidata em si), surge como algo realmente de novo no horizonte. Ela é fruto da mesma Teologia da Libertaçao, mas pensada sobre as bases de uma economia florestal, aonde tirar o leite da seringa além do que a natureza oferece, significa matá-lo. Ou seja, uma lei de sobrevivencia que nao atende a logica da civilizaçao industrial baseada no aumento de produçao e consumo. No Brasil esta forma de pensamento já era praticada pelos indigenas, mas muito se perdeu, por que o Brasil pouco manteve de sua linhagem pré-colombiana. Somente no século XIX, a convivencia mais proxima entre seringeuiros e indigenas permitiu uma releitura deste modo d evida aprtir da ótica da identidade nacional, e nao apenas indigena.
No Peru, ao contrario, a conquista espanhola nao quitou por completo as relaçoes que ja existiam entre centenas de povos que já praticavam intenso comercio de produtos e de idéias há 10 mil anos antes de Cristo.
Nao por acaso, o Peru também tem a sua "Marina Silva". trata-se de um Shipibo natura desta mesma comunidade que eu visitei: Paohyan. Nao existem coincidencias.

A Floresta e seus ensinos

Em Paohyan pude provar o gosto desta filosofia entranhada no modo de vida das populaçoes andino-amazonicas.
Ocorre que se cria uma relaçao de reciprocidade entre homem e natureza que já desconhecemos a milenios em nossa civilizaçao industrial judaico crista, greco-romana, racional, materialista e cartesiana.
Vou dar um exemplo Uma criança está com febre. Seu pai tira uma folha de uma árvore, nao sem antes pedir a esta arvore nao a unidade, mas a essencia, o arquetipo, ou espírito, se preferir) que cuide de seu filho. Seu filho toma a planta e fica melhor. O que ocorreu? O espírto da planta cuidou da sua familia. Qual é o valor disso numa relaçao de reciprocidade? Cuidar da arvore como se ela fosse de sua propria familia. Lembre-se nao é a unidade arvore, mas a espécie, que como nós, também luta para manter vivos os seus descendentes sobre a Terra. Assim ocorre com tudo, nao apenas com planats medicinais, mas com cada peixe, semente ou fruta que servir para a alimentaçao, vestuário, fabricaçao de suas casas, enfim, em tudo se presta a "ayni", ou seja, reciprocidade. Nao temos isso e nossa civilizaçao, por isso ela esta fadada ao fracasso. Ou se acaba a civiliaçao industrial, ou se acaba o planeta, em mais ou menos tempo.
Lembremos que eles viveram em fartura e prosperidade por 16 mil anos, e nós a 500 anos trouxemos a fome, a miseria e doenças incuraveis antes desconhecida no continenente.
E agora pergunto: Quem ensinou a estes povos esta sabedoria tao pratica, tao verdadeira e tao eficaz? Simplesmente o maior mestre da Floresta: Ayahuasca.

Entao estudar a ayahuasca, significa conhecer a porta pela qual sairemos deste labirinto criado pela civilizaçao industrial. Isso em absoluto nao significa que "todos vao ter que tomar ayahuasca". Nao é assim que funciona entre os nativos. Existe uma classe de sabios, pensadores e investigadores do universo nao visivel que compartilha seus conhecimentos com o restante de seu povo atraves de cançoes, pintura, historias e ensinamentos e assim , todo o povo usufrui desta sabedoria, o seu bem comum.

Nossa vida nao se acaba quando nosso corpo tomba ao chao. O fato é que a genética implica que nossos filhos e netos continuam nossa propria caminhada. Entao redescobrir a "ayni" com a Terra significa entre outras coisas fazer com que se perpetuem nossos passos, em cada vez mais feliz caminhar.

Compreendes agora portanto a que estou de fato dedicando os meus dias?

Mae

A mudança que de fato está ocorrendo é a da base trinitária ou trindade (Pai, Filho e Espirito Santo, que representa a humanidade) para a quadrinidade (3 + a Mae= Terra e que representa a soma de todas as conciencias do planeta). Nao perca no proximo episódio: A Chave de Maria.

Com todo meu carinho, de seu filho
Leandro